Sexta Set 10

Inovação Aberta e Sustentabilidade uma nova perspectiva, a Hélice Triplice Twin

Júlia Menezes Profeta - Maio 09

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Após abordar a sustentabilidade como meio de inovação em quatros estágios, de acordo com a conceituação teórica de Stuart Hart, trago uma outra perspectiva, a de Etzkowitch: a hélice tríplice twin. Primeiramente, vale conceituarmos a hélice tríplice para que venhamos a compreender o que é a hélice tríplice twin (ou gêmea). De acordo com Etzkowitch, a inovação atinge sua forma plena através da inovação aberta (CHESBROUGH, 2006), em modelos integrados onde academia, indústria e governo interagem atravé de organizações híbridas, em processos evolutivos de mutual shaping (moldagem mútua) – de modo a combinar as diversas competências e alavancar a eficácia das inovações tecnológicas criadas. Ou seja, a inovação se dá com a combinação de 3 elementos (por isso hélice tríplice) que no caso devem ser academia, indústria e governo. Isso porque cada uma se ocupa de uma esfera extremamente importante para o desenvolvimento econômico e social de uma nação. Isoladas são inúteis, mas com o equilíbrio das participações dos diversos agentes num sistema aberto têm seus potenciais alavancados e se tornam efetivamente produtivas. 

O conhecimento encontra-se difuso na sociedade, daí a necessidade e importância de se promover a interação dos agentes, de maneira a proporcionar entre eles complementação cognitiva. E o que isso quer dizer? Deve-se extrapolar o modelo de inovação sistêmica, preso dentro da cadeia de valor.

A complementação cognitiva vem de se promover a interação entre agentes totalmente diferentes, por exemplo, através da associação de indústrias distantes, que na interação de seus diversos campos de conhecimento podem criar novos mercados e oportunidades. Contudo, deve-se questionar: e onde entra a sociedade neste modelo? Assim, vê-se a necessidade e a importância da integração de sociedade, governo e academia em uma segunda hélice, controlando e direcionando a produção e inovações de maneira a promover a sustentabilidade da economia e da sociedade. A primeira hélice por si só não é suficiente, pois não engloba diretamente os interesses da sociedade, a quem as demais instituições deveriam servir. Assim, a segunda hélice é adicionada, fechando o ciclo e dando as diretrizes sob as quais os esforços serão feitos. 

Helice Triplice Twin


                                                              Fonte: autoria própria 

Nessa proposta de sistema, muitas idéias são produzidas e, consequentemente, muitas são deixadas na prateleira – o que jamais poderia acontecer. Em se tratando do mundo corporativo, as idéias não podem morrer só porque não interessam à empresa-berço. Idéias devem ser passadas adiante de modo a serem mais um tijolo na construção do conhecimento.

Como fazer isso? Por que não criarmos um mercado secundário de inovação? Pensando em mercado de inovação, a inovação aberta pode muito bem ser vista como meio de saída para Venture Capitals, criando novas estruturas e organizações que podem ser submetidas a venda, desinvestimento, spin off etc. 

Na questão «inovação aberta», com a interação entre os diversos agentes, há muito mais oportunidades a serem exploradas do que imaginamos. Aposte nesta idéia!

  --- Júlia Menezes ProfetaDiretora Executiva                                                                                                                                                   Mundo InNova                                                                                                                                                                         13ª edição – maio/2009 ---Esse artigo foi inspirado na palestra dada pela Professora Ana Maria de Brito Pires (UFBA) – “O Poder da Relação Universidade-Empresa-Governo”, ministrada sobre sua tese de doutorado.

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