Toda memória é uma espécie de velhice...
Fernando Soares de Oliveira - Setembro 09
Lendo um dos meus autores favoritos, uma frase me chamou à atenção. Ele dizia que “...toda saudade é um espécie de valhice”. E o tema deste livro é Memórias,ou melhor, o livro trata de dois tipos de memórias: as que tem vida própria e as que não tem vida própria. O autor escreve que “...memória é onde se guardam as coisas do passado”.
Pensando em tecnologia, memória é o lugar onde se guardam as coisas do presente também, não somente as coisas do passado. O fato é que a cada dia o presente é mais efêmero, e torna-se passado em uma velocidade assustadora. Neste texto eu gostaria de focar na evolução tecnológica dos locais reservados ao armazenamento de informações, ou seja, aquilo que chamamos de memória em nossos telefones celulares, computadores, máquinas fotográficas, tocadores de música, consoles de jogos, etc.
Quem viveu aquela época, lembra bem do que vou falar. O ano era 1981, e começavam a chegar ao mercado os computadores de pequeno porte. Modelos como o Dismac D8000 ou o TK-82 da Microdigital, que era compatível com o ZX81 da inglesa Sinclair, são lançados com capacidade de memória de 16KB, e possuiam expansão de memória via fita cassete, coisa que alguns jovens de hoje nunca viram!
Ainda em 1981 a Prológica lança o NE-Z80 e no ano seguinte, surge o CP 200, ambos ainda com 16KB de memória. A evolução que ocorreu nos anos 80 não pode ser comparada com o que ocorre nos dias de hoje. No mesmo ano de 1982 a CCE traz o MC4000 com fantásticos 48KB de capacidade de memória e, em 1983 conhecemos o famoso TK-85, também com 48KB. Que maravilha! Isso sem falar na fita cassete, e no tempo que era necessário para acessar os dados ali gravados, além é claro, do ruído que tínhamos que ouvir enquanto os dados eram carregados.
Em 1985 o TK-90 ainda tinha os incríveis 48KB, e em seguida a Gradiente apresenta o MSX-1, com 64KB, processador Z80 de 8 bits. No total ele tinha 80KB, mas 16KB eram somente para vídeo. Nessa época, creio que em 1984, mais um avanço. O modelo Apple II vem com 128KB de memória.
Para não tornar essa lista infindável e tentando dar uma dimensão do que estou falando, pelo menos no que diz respeito ao tamanho físico destas memórias, 128KB é o que temos hoje nos SIM cards mais elementares de qualquer operadora de telefonia móvel. Ao comprar o chip da operadora, o usuário leva pelo menos essa quantidade de memória naquele pedacinho de plástico de 1,5 x 2,5 cm. Cito o tamanho físico, pois esta é uma dimensão importantíssima da inovação tecnológica. Houve um tempo quando tínhamos verdadeiras “geladeiras” para armazenar dados, e isso fazia com que determinadas soluções ficassem literalmente fixas em um lugar. É evidente que outros componentes também precisaram evoluir e terem seus tamanhos reduzidos para ganhar mobilidade, como baterias, teclados e telas, mas a memória em particular apresentou uma evolução impressionante.
Nos telefones celulares, a memória começa a ser algo realmente relevante quando aumenta a convergência de soluções em um único aparelho. E essa evolução ocorre com muita velocidade. Aliás, velocidade de inovação é a característica do mercado de telefonia móvel. Mas voltando ao tema da capacidade de memória e de mobilidade, lembro-me de usar cartões chamados MMC 128MB, em 2004. MMC era um cartão pouco menor que uma foto 3x4. Veja que não falo mais de kilo bytes mas de mega bytes, ou seja, uma capacidade mil vezes maior de armazenamento. Depois dos 128MB, passamos aos 256MB e aos 512MB, e então surgem os MMC de tamanho reduzido, metade do tamanho de um MMC.
Pouco tempo depois, chegam os cartões de 1GB, sendo 1 giga byte novamente mil vezes maior que 1 mega byte. Neste ponto, muda-se novamente o formato para microSD, e temos os cartões de memória do tamanho da unha do nosso dedo mínimo. A evolução continua. Hoje temos cartões microSD de 1, 2, 4, 8 e 16GB encontrados a preços acessíveis nas lojas.
Além destes cartões microSD, temos ainda que pensar na memória interna que vem embarcada nos telefones. Temos hoje telefones com 8GB, 16GB e 32GB de memória interna, com expansão via cartões microSD para até 48GB. E isso continuará em seu ritmo de evolução. Maior capacidade de memória, em menor espaço físico, disponíveis em intervalos de tempo cadavez mais curtos.
Novidade? Ainda teremos muito pela frente. Não falamos de memória virtual, armazenamento e acesso aos dados de maneira remota, o que traz facilidade, redução de tamanho, capacidade infinita e outros tantos temas. Mas isso é um outro capítulo da história. História? Memória? Velhice? Nada disso: evolução e inovação!
Tatiana Higaki
