Sexta Set 10

Setor empresarial inovador é destaque do Brasil no WEF

Luiz Alberto de Souza Aranha Machado - Outubro 09

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“Nunca me esquecerei que havia uma pedra no meio
do caminho, no meio do caminho havia uma pedra.”

Carlos Drummond de Andrade

Vieram a público, na segunda semana de setembro, dois relatórios de importantes organismos internacionais: o de competitividade e o de ambiente de negócios. Imaginando uma gangorra, o Brasil subiu no ranking do primeiro e caiu no do segundo.

O relatório de competitividade, divulgado pelo World Economic Forum (WEF), compara o desempenho de 133 países, levando em conta dezenas de indicadores que, por sua vez, se subdividem em outras inúmeras variáveis, fazendo com que o resultado reflita tanto aspectos econômicos como políticos e sociais dos países considerados na amostra.

O segundo relatório, divulgado pelo Banco Mundial, compara o ambiente de negócios em 183 países, tomando por base as condições prevalecentes na cidade mais importante de cada um dos países envolvidos na amostra.

No ranking do WEF[1] o Brasil, que já havia subido oito posições em 2008 em comparação com 2007, subiu mais oito posições no ranking deste ano, atingindo a 56ª posição e ficando abaixo apenas do Chile entre os países da América do Sul. O Chile, mesmo caindo duas posições em relação ao ano anterior, é o primeiro país da América do Sul (e Latina), ocupando a 30ª posição. Depois de vários anos na liderança, os Estados Unidos, em razão dos efeitos provocados pela crise financeira, perderam o primeiro lugar para a Suíça.

Entre os fatores que contribuíram negativamente para a situação do Brasil, destacam-se:

    * o efeito da carga tributária sobre a atividade econômica (o Brasil ocupa o último lugar);
    * a carga tributária em relação ao PIB (o Brasil ocupa o 117º lugar)
    * o sistema de regulação governamental;
    * a confiança da população nos políticos;
    * a corrupção e o a de dinheiro público;
    * a qualidade do ensino.

 Já entre os que contribuíram positivamente para a situação do Brasil, merecem citação:

    * o setor empresarial inovador e sofisticado;
    * o tamanho do mercado;
    * a melhora sistemática da estabilidade econômica;
    * a capacidade de reação à crise internacional;
    * a solidez e eficiência do sistema financeiro.


Carlos Arruda, professor da Fundação Dom Cabral e coordenador da pesquisa no Brasil, fez o seguinte comentário a respeito do desempenho brasileiro: “O que estava muito ruim continua muito ruim”. Para ele, os bons resultados obtidos pelo Brasil nos dois últimos anos não serão sustentáveis se não acontecerem mudanças em aspectos estruturais tais como a carga tributária, os marcos regulatórios para as atividades empresariais, a qualidade da infraestrutura, da educação e do gasto do dinheiro público.

Passando agora para o relatório do Banco Mundial, intitulado Doing Business, constatamos que o Brasil caiu duas posições em relação ao ano anterior, indo da 127ª para a 129ª posição[2]. Neste ranking, o primeiro lugar é ocupado por Singapura, e o segundo, pela Nova Zelândia.

Dos fatores que mais complicam a vida das empresas que querem fazer negócios no Brasil, chamam a atenção:

    * o número de procedimentos para abrir (e fechar) uma empresa;
    * o número de procedimentos para registrar uma propriedade;
    * o número de horas gastas para pagar impostos;
    * o tempo necessário para conseguir um alvará de construção.

 Embora possa parecer, à primeira vista, que existe uma enorme contradição nos resultados apresentados pelos dois relatórios, o que se verifica numa análise mais detalhada é que não há contradição alguma, de tal forma que se o Brasil apresentasse um melhor desempenho no relatório do Banco Mundial, aprimorando o ambiente interno de negócios, certamente poderia melhorar ainda mais no ranking do WEF. Afinal, não resta dúvida de que se, pelo menos, melhorássemos nosso sistema tributário, diminuindo o tempo necessário para calcular e pagar impostos, e reduzíssemos a burocracia para abrir e registrar empresas, o impacto positivo na nossa competitividade seria imediato.

 Lamentavelmente, porém, o que vemos é o governo mobilizando os partidos da base aliada para que seus parlamentares aprovem a criação de um novo imposto, a CSS, novo nome da velha CPMF.

Enquanto isso, os deputados de São Paulo, depois de exaustivas horas de intenso debate, aprovaram uma lei determinando que a partir de agora bananas têm que ser vendidas por quilo e não por dúzias, como sempre foram.

Dá para acreditar?!?!?
 
Luiz Alberto Machado é economista, e vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP.

[1] O ranking completo pode ser visto em http://www.weforum.org/pdf/GCR09/GCR20092010fullrankings.pdf.

[2] O ranking completo pode ser visto em http://www.doingbusiness.org/EconomyRankings/. 



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