E agora, inovação?
A história econômica do capitalismo, desde suas origens na primeira revolução industrial em meados do Século XVIII, evidencia claramente que a inovação é a base da criação de vantagens competitivas. Entretanto, desde estes primórdios da firma capitalista, a questão da inovação tecnológica coloca uma questão fundamental para ser respondida: como inovar?
Como esta mesma história demonstra, definir um direcionamento estratégico para os esforços inovativos não é um problema de solução trivial, dada a própria natureza da inovação tecnológica, que possui como característica intrínseca a incerteza.
É importante neste ponto ressaltar que a inovação tecnológica se dá em dois momentos distintos: a fase de pesquisa e desenvolvimento – em que são desenvolvidas as bases técnicas para a inovação – e a fase de comercialização – em que a inovação é efetivamente posta em um ambiente de seleção competitiva.
Isto significa – e é sempre importante ressaltar – que a inovação não termina com a invenção, com o mero desenvolvimento de uma nova tecnologia ou produto. É fundamental que ocorra um efetivo impacto econômico.
Feita esta ressalva, fica claro que as complexidades trazidas pela incerteza apontam tanto em direção à incerteza técnica – “Será que a tecnologia atingirá o desempenho esperado a um custo aceitável?” – quanto à incerteza de mercado – “Será que o mercado comprará o produto, com estas características e a este preço?”
A incerteza técnica é advinda do fato de que a ciência e a tecnologia são, elas mesmas, estocásticas. O progresso do conhecimento avança de maneira não-linear, com um certo componente de serendipidade – ou simplesmente sorte – atuando de maneira decisiva.
Pelo lado comercial, a incerteza ocorre porque, como o ambiente que determinará o sucesso da inovação simplesmente não existe antes desta ser lançada – e não se pode fazer um estudo de um mercado inexistente –, não há como prever o efetivo sucesso comercial da inovação.
Mas, obviamente, apesar de irredutível, a incerteza pode ser gerenciada. O simples fato de que existem diversas empresas sistematicamente bem sucedidas na introdução de inovações tecnológicas indica que há um conjunto de estratégias possíveis para administrar este processo. Apesar de cada história apresentar suas próprias nuances e peculiaridades, observando-se as evidências empíricas presentes neste conjunto de casos bem sucedidos pode-se tirar algumas lições interessantes.
O primeiro passo para a firma ser bem sucedida é possuir uma visão clara de onde se quer chegar. Esta idéia pode até parecer um truísmo, mas apenas uma minoria das empresas possui um senso de propósito firme orientando suas ações. A visão é base que garante a consistência na estratégia, pois, como lembrou Sêneca, quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável. E saber onde se quer chegar é fundamental para dar os primeiros passos, especialmente quando a estrada é pedregosa e cada curva traz novas surpresas.
Um segundo componente essencial é o domínio técnico. O desenvolvimento de competências que reflitam a visão da firma é fundamental, quer seja para mitigar os riscos técnicos através da incorporação de conhecimentos de vanguarda, quer seja para simular os potenciais ambientes concorrências em que a inovação será inserida. A busca permanente pela construção de competências capacita à firma buscar seus caminhos sob uma base sólida, pois, por mais que o avanço técnico tenha uma natureza aleatória, segundo a lição de Pasteur, o acaso privilegia a mente preparada.
Por fim, um ambiente incerto e dinâmico como o da inovação, demanda estratégias que sejam acima de tudo robustas e flexíveis somadas a um certo grau de desprendimento por parte da firma. Às vezes mudar é o único caminho possível à frente. Como observou Schumpeter, não é possível se atingir o novo sem antes destruir o velho. Goste-se ou não, esta é a regra do jogo - e as opções são jogar ou ser um mero espectador.
Não existem estratégias perfeitas, mas há caminhos possíveis. Assim, para obter sucesso e se perpetuar, a firma deve buscar constantemente a inovação, tendo por base uma sólida base de conhecimentos e competências, tendo por norte uma clara visão de propósito e se imbuindo de um forte espírito de flexibilidade e desprendimento, permitindo assim se reinventar, de maneira firme e audaciosa, todas as vezes que forem necessárias.
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Denis L. Balaguer
