A Gênese da Criatividade
Falam-se muito de inovação nos mais diversos campos: competitividade de produtos e serviços, novas tecnologias, excelência em serviços, fidelização de clientes e por aí a fora. Em todo este complexo “emaranhado” de relacionamentos e necessidades, temos algumas perguntas muito básicas:
Onde começa o processo de inovação ?
Como minha companhia pode ser criativa ?
De que forma entro neste aparente seleto clube de inovadores ?
Bem, temos que considerar dois cenários: se você for um inventor, com uma vida dedicada à ciência e à inovação, que você vende a sua tecnologia e seus projetos, com certeza podemos dizer que a sua geração de novas idéias virá de mais alguns PhD’s e mirabolantes estudos de como desenvolver ainda mais o seu “gênio inovador”. Mas um perfil como estes é uma minoria absoluta em qualquer campo de atividade. Como, então, podemos gerar hoje em dia tantas idéias novas e revolucionárias? O mais impressionante é pensarmos que grandes idéias vêm de pessoas como você e eu, na rotina de nossos desafios diários.
Por esta razão estou convencido de que o processo de inovação inicia-se com o ativo mais importante: com PESSOAS. Inovando a maneira pela qual podemos liderar pessoas. No final das contas, quase a totalidade dos avanços tecnológicos vêm de grandes companhias ou organizações com muitos colaboradores. Ainda hoje muitos focam apenas na tecnologia, colocando em segundo lugar os processos de motivação que levarão um grande número de colaboradores a serem criativos.
Está provado que ambientes de alta pressão psicológica, com constantes assédios morais, ou sem mecanismos de reconhecimento de bom desempenho e de inovação, inibem completamente a criatividade. Por outro lado, este espírito inovador desabrocha quando os gestores descobrem a palavra mágica da administração moderna: engajamento. Seu significado vai muito além de fazer um trabalho bem feito, cumprir com as metas ou mesmo crescer profissionalmente. Significa o desejo interno, genuíno, com dedicação de mente e coração na direção dos objetivos da companhia ou organização. Quanto mais funcionários tiverem nesta situação, mais forte será o poder de inovação ou criatividade.
Recentemente o Instituto Gallup classificou a força de trabalho norte-americana, nas seguintes categorias, de acordo com pesquisas feitas em centenas de companhias:
26% Engajados
55% Não engajados
19% Ativamente desengajados
Estas médias refletem o comportamento dentro de uma companhia comum. As médias de vários países europeus e mesmo sul americanos não fogem muito deste mix, mas o seu detalhamento não é o foco deste artigo. O importante é reconhecer que a elevada população que “faz a sua obrigação diária” não está realmente engajada. Além disto, é liquido e certo que todas as organizações têm os seus “desagregadores conscientes” dentro da categoria dos ativamente desengajados.
Começa a ficar fácil de responder onde começa a inovação, não é verdade ? Inicia-se na nossa capacidade de engajar o maior número possível de indivíduos em direção a um só objetivo e esta é uma tarefa muito árdua. Por esta razão precisamos constantemente inovar os processos de gestão de pessoas. Estes, levarão à inovação de todo o restante.
Esta “ciência” vai muito além de programas de motivação ou estar entre as “dez melhores companhias para se trabalhar”. Significa uma decisão estratégica de colocar as pessoas em primeiro lugar, com mecanismos sólidos de recrutamento de mão de obra de primeira qualidade e de retenção destes talentos. Representa uma gestão de recursos humanos que contemple objetivos claros e bem definidos, muito bem comunicados e entendidos, assim como processos de reconhecimento tanto financeiros como de dezenas de outras formas. É conseguir fazer com que cada colaborador conheça o impacto de seu trabalho nos resultados, seja lá qual for o tamanho da organização.
Este conjunto de fatores fará com que o time realmente “vista a camisa”. Quando isto acontece, todos os níveis fornecem soluções jamais pensadas e se dispara nas asas da criatividade.
Problemas com inovação em sua organização ? Comece com o básico...inove com a gestão de pessoas ! O resto...é conseqüência !
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Danilo Talanskas
CEO em multinacionais - GE, Rokwell e Otis. Autor do livro:
“Lições de Guerra – Vencendo as Batalhas de sua Carreira”
