A Inovação e a Cultura do “Copy&Paste”
Inovação tem sido proclamado como sendo o dínamo da sustentabilidade das organizações na competitividade local e global das nações, e principalmente necessária devido à aceleração das comunicações e disponibilidade de informações na Internet, na afetação da natureza e operação dos negócios.
Analisando friamente os números de patentes e sua taxa de crescimento no Brasil, percebe-se que estamos perdendo terreno competitivo nessa questão. Ainda que seja uma questão complexa, de natureza multi-variada e multi-disciplinar, vamos efetuar um reducionismo esclarecedor, analisando a nossa cultura de Copy&Paste dos nossos estudantes e profissionais, também os de inovação.
Em contato com o publico estudantil universitária, podemos denotar que o pensar reflexivo não tem sido privilegiado pelos nossos e maioria de estudantes. A pressão por resultados (trabalhos semestrais, seminários, levantamentos de dados em campo, participação de congressos...) os têm pressionado a produzir trabalhos que êles facilmente encomendam à Internet. Com algumas pequenas correções, passando ao largo dos pensamentos de reflexão, e pronto! Os alunos entregam galhardamente os trabalhos encomendados aos professores. É a cultura do Copy& Paste. Da Internet aos documentos no Notebook, e daqui Copy&Paste para a memória e aos discursos de interpretação simplista e nebulosa. Como fica o desenvolvimento mental na busca de novas soluções ? Como fica o desenvolvimento de Tácitos, incluindo de Inovação ?
Justiça seja feita, temos também tido o privilégio de ter conhecido alunos brilhantes, de muito empenho e inteligência criativa. E percebo muitas diferenças que se alinham como pensar-sentir-fazer integrado, indagante, curiosidade pelo novo, atitudes e comportamentos positivos, facilidade em comunicação, e estética destacável e moral firme.
Em contato também frequente com a comunidade de professores, intelectuais e profissionais, e também os de inovação, temos presenciado também uma tendência de repetir o que outros profissionais repetem, tudo em nome do marketing e venda de idéias. Há os que repetem (e divulgam, ugh !) trabalhos de profissionais de outros paises na expectativa de ganhos imediatos de curto prazo, para ganhar respeitabilidade e atenção das nossas comunidades consumidoras de novas “teorias”. Nada ou pouco em idéias originais ou mesmo complementares, há mais adesão à busca do fácil, de busca de soluções em paises ditos desenvolvidos, e procura-se colocar como sendo o “guru” importador de idéias alheias, propagando-as no nosso país, e aderindo-se à marca do idealizador na venda das idéias e produtos “alheios”. Essa questão, já analisada por diversos autores, pertence também à seara de discussão sobre a cultura do país “subdesenvolvido”, de pais colonizado no passado.
Um parêntesis: Reforço que esse comportamento é cultural, âmbito estudantil e profissional, apesar dos esforços colossais do governo em incentivar Inovações através de Subvenções Econômicas (FINEP), Programas de Incentivo às Inovações (Sebrae), e o desenvolvimento do mercado de Equity & Venture Capitals.
E assim caminha a nossa cultura de inovação com forte dose de Copy&Paste, pois é mais rápido, e traz a marca dos gurus originais. Vende imagem pessoal mais fácil, e outras vantagens mais. E não pretendemos ampliar a discussão aqui das consequências na ética e operações organizacionais, nem o atingimento a outras camadas sociais, e tipologias profissionais.
Como quebrar esse paradigma de Copy&Paste, que contrapõe culturalmente e diminui a produção brasileira genuína de Inovações ?
Alinhado com os esforços governamentais, sugiro fortemente que a classe estudantil e profissional ,principalmente os de inovação, que busquem pensamentos de reflexão (também os de base filosófica) mais profundos, e que quebrem paradigmas sobre si próprio, muitas vezes provenientes de uma educação fortemente centrado no pensar lógico e racional, e resistam à tentação por resultados imediatos com base em muito marketing, e colagem de marcas de “gurus” (inovadores ou não) de paises mais desenvolvidos em Inovações e produção de Patentes.
Recomendamos os seguintes encaminhamentos (sem exaurir) visando aumentar os índices de Inovação e diminuindo a cultura do Copy&Paste:
v Adotar pensamentos mais reflexivos (digamos, terceiridade de Pierce)
v Adotar o pensar sobre o próprio pensar. Metodologicamente, re-pensar sobre o que já pensou.
v Adquirir maior conhecimento sobre si próprio, aprofundando no subjetivismo no seu dia-a-dia. Indagações sobre o “porque”, e não somente o “como”. Conhecer a ontologia do ser humano.
v Complementar a postura cientifica atual (dedutivo-hipotético) e aceitar abertamente novas formas de pensar, que não seja só o cunhado pelo método científico, ou totalmente protegido pelas leis científicas mais ortodoxas.
v Viver e alinhar a trimembração Pensar-Sentir-Fazer (R. Steiner).
v Adotar o Fazer - Pensar e o Sentir numa dialética de equilíbrio frente aos fenômenos mais complexos.
v Adotar métodos de inovação incremental.
v Adotar métodos de inovação disruptiva (segue exemplo-figura, no final desse ensaio). Com isso, também surgem muitas outras inovações incrementais.
v Adotar métodos de intervenção organizacional para Inovação. Evitar discursos de improviso.
v Adotar métodos de desenvolvimento de cultura organizacional para Inovação.
v Adotar processos coletivos de geração de Inovações. Unir a genialidade grupal com a individual.
v Examinar cuidadosamente as receitas dos “gurus” que fazem Copy&Paste, para ganhos pessoais de imagem (e financeira) e sem contribuição intelectual adicional ou inovadora sobre as idéias originais. Descobrir as meta-cognições e inove.
v Adotar novas técnicas de pensar além do intelectualismo e racionalismo, tais como o pensar imaginativo, inspirativo e intuitivo (R. Steiner), na analise e síntese de fenômenos, e na identificação de Conhecimentos Tácitos Inovativos. Conheça o nosso Método MCMI ® e suas meta-cognições.
v Embaralhar esses itens acima pela fusão de Tácitos elicitados; criar e desenvolver os seus próprios itens mágicos e inovadores.
E finalmente, ou antes de tudo, pense sobre você mesmo e tente estabelecer seus próprios conhecimentos em reflexão frente às perguntas a seguir, enunciadas por Platão:
v Sei o que sei
v Sei o que não sei
v Não sei o que sei
v Não sei o que não sei
Você verá que a quarta categoria é a mais misteriosa e onde podemos inovar fortemente. E também em Inovação Disruptiva. Mas, como ?
Boa sorte !
Cordialmente,
