O intraempreendedor
Muitos pensam que, para ser empreendedor, é preciso abrir seu próprio negócio. Mas essa é uma visão restrita do conceito de empreendedorismo. Uma pessoa empreendedora é aquela que empreende, que realiza. E para realizar, ela deve expressar três características fundamentais:
1. Encontrar uma solução original para um problema ou melhorar de forma inovadora algo que já existe.
2. Perceber as oportunidades surgidas a partir dessa solução ou melhoria e explorá-las.
3. Potencializar o crescimento que poderá advir dessas oportunidades por meio do planejamento e da organização.
Há várias formas de expressar essas características. Alguns podem fazê-lo abrindo o seu próprio negócio. Outros podem optar por colocar seu talento empreendedor a serviço da empresa em que trabalham. São os chamados intra-empreendedores. Seu objetivo é fazer a empresa crescer e, nesse processo, eles crescem com ela. Há funcionários cuja única preocupação é fazer o mínimo necessário para manter seus empregos. Mas também há aqueles dispostos a empregar todo o seu talento e potencial em benefício da empresa em que trabalham e, conseqüentemente, em seu benefício também. Esses são os intra-empreendedores. Um funcionário sem espírito empreendedor pensa: “Não sou pago para isso”. Já o intra-empreendedor pensa: “Não sou pago para isso. Mas vou ser”.
Há uma história que ilustra muito bem o que é o intra-empreendedor – e onde ele pode chegar. Certa vez, Earl Dickson, um funcionário da Johnson & Johnson americana, estava preocupado com sua esposa, que costumava se cortar com freqüência ao cozinhar.
Disposto a facilitar a vida da esposa, Dickson decidiu criar um curativo de fácil aplicação, que ela mesma pudesse colocar sobre o ferimento. A esposa elogiou sua invenção, que era muito mais prática e confortável do que os antigos curativos. Dickson, então, pensou: por que não apresentá-la aos executivos de sua empresa? A idéia foi aprovada e, em pouco tempo, começou a ser comercializada com o nome de Band-Aid. A invenção de Dickson é, até hoje, um dos itens mais rentáveis comercializados pela Johnson & Johnson. E o criativo funcionário recebeu sua recompensa, ganhando diversas promoções ao longo de sua carreira. Ao se aposentar, em 1957, ele era vice-presidente da empresa.
Contudo, também é possível ser um intra-empreendedor sem ter que inventar nenhum produto genial. Basta usar a criatividade para tornar seu trabalho mais eficiente, tomar iniciativas em vez de se acomodar e assumir responsabilidades em vez de fugir delas. Sabe aquele funcionário que costuma se fazer de morto cada vez que um novo desafio é proposto? Ele com certeza não é um intra-empreendedor.
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Paulo Kretly
