Segunda Set 06

Autodesenvolvimento e a acomodação

O caminho mais curto para a estagnação é perder a disposição para aprender.

A palavra é autodesenvolvimento. Existe algum momento da vida que podemos dizer: basta, não tenho mais nada para aprender? A resposta é simples: nunca haverá este momento. As oportunidades de aprendizado nos são oferecidas constantemente, o tempo todo. Aprendemos com os nossos pais e com os nossos filhos, com os nossos superiores e com os nossos subalternos, com um erudito e com um mendigo que cruza nosso caminho, com um acontecimento feliz e um infortúnio, com realizações e frustrações, derrotas e conquistas. Aprendemos todas as vezes que paramos para pensar sobre o que determinado momento nos trouxe, o que aprendemos com aquilo, o que nos mostrou a respeito dos outros e de nós mesmos. Um processo tão longo quanto a vida.

O aprendizado requer disposição e esforço. O caminho mais curto para a estagnação é perder a disposição para aprender, seja pela arrogância de achar que já se sabe tudo, seja pela enganosa convicção de que é tarde demais para adquirir novos conhecimentos.

A acomodação é o segundo adversário do aprendizado porque paralisa o segundo requisito para que ele ocorra: o esforço. É preciso esforçar-se para manter a mente aberta ao novo, para não se deixar limitar pelos preconceitos e opiniões pré-concebidas. E também é preciso esforço para ampliar as oportunidades de aprendizado, reservando tempo para as leituras, para as conversas e atividades instrutivas, para se atualizar e aprofundar o seu conhecimento. E neste caso, não se refere apenas ao que diz respeito à vida profissional, mas também aos aspectos pessoais como conhecer mais a fundo a esposa ou o marido. Um outro equívoco é negligenciar o autoconhecimento. Uma série de frustrações e angústias vem do fato de ignorarmos as nossas verdadeiras necessidades e motivações. Conhecê-las também é um aprendizado constante.

O primeiro passo para transformar a vida em um constante aprendizado está na admissão de que ainda temos muito o que aprender. As pessoas que mais aprendem são as que mais ensinam. Até mesmo a forma como elas buscam o aprendizado é um ensinamento para nós. Por exemplo: quem culpa a falta de tempo por não fazer aquele curso tão importante para a sua ascensão profissional talvez não saiba que Abraham Lincoln, o presidente que liderou os Estados Unidos durante os anos da Guerra Civil, tornou-se advogado estudando sozinho, nas raras horas livres que seu trabalho braçal lhe permitia. Os que afirmam “não ter condições adequadas” para aprender provavelmente ignoram o fato de que Marie Curie, primeira mulher a receber o Nobel da Física, arriscou a liberdade e a vida para poder estudar ou que o Comandante Rolim, que levou a TAM a ser uma das mais bem-sucedidas empresas aéreas da América Latina, pagou suas aulas de vôo limpando aviões.

O fato de existirem pessoas que ampliaram seus limites muito além do que se poderia esperar nos leva a pensar em quão pouco estamos expandindo os nossos próprios limites. A consciência de nossas limitações, despertada pelos exemplos destas pessoas, nos mostra que vivemos para aprender e que precisamos aprender o tempo todo para viver com qualidade e deixar um legado.

*Paulo Kretly é presidente da FranklinCovey Brasil (www.franklincovey.com.br), e reconhecido palestrante em liderança, gestão e produtividade pessoal e interpessoal, é especialista em gerenciamento do tempo e vem cativando milhares de pessoas e organizações que o procuram com o desejo de manter suas vidas pessoal e profissional equilibradas.

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Paulo Kretly

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